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Valdir de Moraes: Uma figura que faz falta para o futebol

Atualizado: Jun 9


Valdir de Moraes, ainda no Palmeiras


Valdir de Moraes: Uma figura que faz falta para o futebol

O futebol é uma das maiores vitrines no Brasil e no mundo para a identificação de ídolos, sejam eles do presente ou do passado.

Há milhares de personagens que marcaram histórias vestindo camisas dos mais variados clubes e seleções mundo a fora.

Geralmente os nomes mais exaltados são de caras que fazem a rede balançar, mesmo porque “o grande momento do futebol”, como já dizia o nome de um programa esportivo, é o gol. Mas há aqueles que se encantam com os chamados (no passado) de “estraga-prazeres”, ou anti-heróis, ou anti-climax, ou seja, os goleiros.

Obviamente não concordo com os rótulos acima. Muito pelo contrário. Isso depende do ponto de vista. Se o goleiro do meu time se destaca numa partida evitando que a bola balance a rede, ele será para mim o “grande herói”, concorda?


Quer um exemplo recente?

O goleiro Weverton, que foi convocado às pressas para o gol da seleção olímpica brasileira, já que Fernando Prass acabou cortado por conta de uma lesão às vésperas das Olimpíadas, fez um campeonato bem normal, sem grandes defesas. Mas bastou defender o último pênalti na decisão contra a Alemanha que virou “herói nacional”.

Bom, na verdade quero dizer que sou um desses que torce pelo goleiro durante uma partida e o meu grande ídolo no futebol é um camisa 1 – atualmente já aposentado no futebol.

Mas não estou aqui para falar dele, mesmo porque ele terá um texto totalmente dedicado mais para frente.

Hoje quero falar sobre uma pessoa que merece o respeito de todos os goleiros do Brasil, sejam eles profissionais ou amadores, e que é ídolo para muitas pessoas.

Estou falando de Valdir Joaquim de Moraes, o grande “Professor Valdir”. O pai da profissão de treinador de goleiros. Uma figura ímpar no futebol.

Seu Valdir nasceu no dia 23 de novembro de 1931, em Porto Alegre (RS). Com 1,70m de altura, estatura boa para a época, iniciou sua carreira como goleiro do Renner, em 1954, por onde permaneceu por três anos e sagrou-se campeão gaúcho no ano de estreia.

Em 1958, com 23 anos de idade, chegou ao Palmeiras, clube que o renderia muitas alegrias e um carinho guardado até hoje em seu coração.

Muito “acanhado” na vida pessoal, como ele mesmo diz, mas sempre arrojado debaixo das traves, seu Valdir foi um dos melhores goleiros de sua época, apesar da estatura (baixa para a atualidade), e um dos maiores ídolos do time que se imortalizou naquela equipe conhecida como a “Primeira Academia de Futebol do Palmeiras” – a segunda seria a dos anos 1970.

“Realmente eu era um pouco baixo para a posição, mas apesar disso eu compensava com impulsão, bom posicionamento, coragem, boa saída de gol e reflexo bem apurado”, disse seu Valdir a mim em uma gostosa entrevista, em 2012, no centro de treinamentos do Palmeiras, na região da Barra funda, em São Paulo.

Durante o bate-papo, perguntei ao Sr. Valdir se ele se arrepende de algo que fez ou que não tenha feito durante seus maravilhosos anos como goleiro profissional e ele me disse: “se tivesse que viver tudo novamente, eu viveria com o maior prazer, talvez até mais intensamente, porque o futebol sempre foi a minha vida”.

O que o Sr. Valdir jamais esperaria é que ele fosse também reconhecido depois de aposentar as chuteiras como jogador.



Dalí em diante, Sr. Valdir iniciou uma brilhante carreira como preparador de goleiros. O jornalista Flávio Prado, da TV Gazeta e rádio Jovem Pan, costuma dizer que existem goleiros “antes” da era Valdir de Morais e goleiros “depois” da era Valdir de Morais.

“Ele revolucionou a profissão de goleiros com seus ensinamentos de uma forma incrível. Os goleiros tiveram um salto na categoria e passaram, inclusive, a ser exportados, o que não acontecia no passado. Foi uma coisa de louco”, ressalta o jornalista.

Além do Palmeiras, o Sr. Valdir treinou goleiros na seleção brasileira, no Corinthians e no São Paulo. Aliás, foi um dos companheiros de Telê Santana na seleção canarinho e no tricolor. Infelizmente na seleção não teve a chance de comemorar um título, mas pelo São Paulo sagrou-se Bicampeão Mundial de Clubes (1992-1993).

É uma pena que Sr. Valdir hoje está afastado do futebol por conta de sua idade já avançada. Acho que pessoas como ele, Telê Santana, Michael Jordan, Ayrton Senna, entre outros, deveriam ter vida eterna, pois são grandes exemplos de atletas e de pessoas.

Sr. Valdir vive no Rio Grande do Sul, ao lado de sua família, um pouco afastado do futebol, desde que foi demitido do Palmeiras, em 2012.

Que fique aqui um grande abraço a ele e um “muito obrigado” por tudo que fez por todos nós, goleiros, de todo o Brasil e do mundo.

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