• Voa Goleiro

Seletivas da CBF Social expõem triste cenário do Futebol Feminino no Brasil

O projeto CBF Social tem realizado peneiras em suas passagens por algumas cidades de alguns estados do Brasil.

No último fim de semana foi a vez de Curitiba-PR sediar o evento que foi dividido em seminário com temas relacionados ao futebol, futsal e futebol de areia, porém muito pouco ou quase nada foi abordado sobre futebol feminino. Acredito que existem muitos temas interessantes a serem debatidos sobre a modalidade estando na presença de representantes da federação e profissionais de clubes do futebol masculino até para auxiliar na quebra de pré conceitos em relação ao futebol das mulheres.

A segunda parte foi a seletiva que reuniu mais de 250 meninas das categorias sub-15, sub-17 e sub-19.

O que ficou claro com essa peneira é que em qualquer cidade ou estado do país onde se realize este tipo de evento, facilmente percebemos que existem muitas meninas querendo realizar o sonho de tornar-se uma jogadora de futebol, assim como existem muitos pais e familiares que apoiam e estão ali para ajudar.


Em Curitiba vi muitos talentos brutos que só precisam ser trabalhados, orientados por pessoas dispostas e capacitadas a isso.

O CBF social dá a essas meninas uma visibilidade e oportunidade que nunca tiveram na vida, porém, devido à falta de estrutura básica de futebol feminino nos estados do “país do futebol”, muitas não estão prontas para participar de seletivas que podem lhes levar diretamente à uma Seleção Brasileira.

A questão primordial é que não existe no Brasil nenhum órgão fiscalizador ou alguma entidade que tenha poder acima das federações estaduais com disposição de cobrá-las por essa responsabilidade no desenvolvimento de ações em prol do futebol feminino.

Muitos falam e continuarão falando que o futebol feminino não dá retorno, não dá dinheiro, não dá visibilidade, mas no fundo o que de fato ocorre é que clubes e federações são preguiçosos e muitas vezes ainda machistas em relação à mulher na prática do futebol.

O futebol masculino, em seu início, também era marginalizado, assim como seus sonhadores atletas que também sofriam grande discriminação por escolherem jogar futebol.

Hoje o futebol masculino é uma “potência”, ainda muito mal gerenciada e totalmente abaixo do que poderia ser e render, mas dá lucro e visibilidade aos clubes porque lá atrás alguns se dedicaram e decidiram lutar pela modalidade.

Então, o que falta ao futebol feminino uma vez que hoje vive e sofre com a mesma marginalização e preconceito que o masculino viveu anos atrás?

Falta apenas vontade de fazer, coisa que não vemos nos clubes e muito menos nas federações. Mas em um país onde não há quem cobre essas ações, estamos dando murro em ponta de faca.

O CBF Social é importante e em muito ajuda essas meninas a aparecer e quem sabe chegar à seleção, mas quando o evento acaba, uma grande maioria dessas meninas continua sem ter onde jogar, sem ter onde aprender e evoluir dentro da modalidade que amam e enquanto esse cenário for predominante, nosso futebol feminino não crescerá.

Quem sabe um dia surge alguma entidade no Brasil realmente disposta a cobrar ação das federações e clubes. Enquanto isso não acontece, uma grande maioria de meninas fica longe do seu sonho e o futebol feminino continua muito longe do crescimento que tantos desejam.

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