• Rogger da Costa

Quem é o “Melhor Goleiro” que já foi campeão com o Flamengo? Gilmar e Raul opinam

Atualizado: Mai 15

Foto: Divulgação/Flamengo 

“Se você tem um goleiro, tem um time. Se você não tem um goleiro, você não tem nada”. É assim que Raul Plassmann resume a importância da função que exercia nos tempos de jogador. Quando atuava pelo Flamengo, foi o titular debaixo das traves dos três primeiros títulos brasileiros. Este ano, vê o time rubro-negro celebrar os dez anos do hexacampeonato orgulhoso pela contribuição que deu.

A decisão contra o Grêmio, em 1982, está especialmente gravada na memória. Foram três jogos contra os gaúchos e apenas um gol sofrido, faz questão de frisar, ao lembrar o final feliz da campanha do segundo título.

“O Grêmio foi o maior desafio que encontrei em todas as decisões pelo Flamengo. No Rio de Janeiro, quase não tive trabalho. Mas nos dois jogos em Porto Alegre, eu fui muito bem. Nesses jogos, eu contribui muito, sem falsa modéstia.”

Depois dele, outros três goleiros deram a volta olímpica pelo Flamengo no Campeonato Brasileiro. Zé Carlos era o titular em 1987, quando a equipe bateu o Internacional. Gilmar levantou a taça em 1992 em cima do Botafogo e Bruno era o dono da posição nos pontos corridos de 2009. Para Raul, o melhor dos quatro era Bruno. Ronaldo Helal, sociólogo e filho de George Helal, ex-presidente do Flamengo, concorda.

“O time de 2009 era mais fraco, tinha apenas o Petkovic e o Adriano. O Bruno ficou marcado, defendeu dois pênaltis do Ganso na mesma partida. Aquelas equipes da década de 1980 eram timaços.”

Bruno foi preso (no ano seguinte) e condenado (em 2013) pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho.

“É impossível olhar para as imagens e fotos (do hexacampeonato) e não ter um sentimento de desperdício quando ele aparece. É impossível escapar do luto por quem ele vitimou no caminho”, opina David Butter, jornalista e produtor rubro-negro, que apesar de relembrar com orgulho da vitória sobre o Santos em que o goleiro foi destaque e do título inesperado, pontua o caso do camisa 1 de 2009.

“Ele conseguiu desperdiçar a própria carreira, atrapalhar a vida de tanta gente, não só da vítima. E embaçar a lembrança de uma glória, parcialmente, porque a figura chama essa memória junta. No meu caso, não acho uma figura ambivalente: é um sujeito que estragou tudo. O nome está lá, mas a pessoa por trás é difícil tratar. Sinto um senso de desgosto. Não tem como você ficar na fotografia de 2009 e isolar tudo que aconteceu.”

Em quem vota Gilmar?

Gilmar Rinaldi, campeão brasileiro em 1992 e do mundo com a seleção dois anos depois, prefere enaltecer Raul Plassmann e sua segurança, a maneira como passava tranquilidade aos companheiros de time especialmente depois de uma falha. Para ele, todos os goleiros tiveram seus méritos por terem sido capazes de suportar a pressão que é agarrar pelo Flamengo.

Da campanha em 1992, ele guarda uma partida com carinho. Para Gilmar, o título rubro-negro começou a ganhar forma depois de uma derrota para o Sport dentro do Maracanã, por 2 a 1. Naquele momento, perto do fim da primeira fase da competição, a confiança da equipe estava lá embaixo. E foi o goleiro que instigou a guinada:

“Meu grande jogo foi contra o Sport. Foi um momento marcante, em que parecia que tudo estava perdido. Perdemos no Maracanã e dependíamos de outros resultados para se classificar. Depois do jogo, eu fiquei repetindo para todo mundo que seríamos campeões, parecia um louco. Mas os jogadores acreditaram e a torcida comprou essa ideia também. Depois daquele jogo, embalamos. Ninguém mais segurou o Flamengo.”

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