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“Olhos de um time” – A vida de goleiro no futebol para cegos

Você sabia que o único atleta que não é cego no futebol de cinco é o goleiro? O que leva alguém a ser “os olhos de um time” nessa modalidade? Este é o caso de Vinícius Tranchezzi. Ele explica a função dentro e fora de campo e como encara perguntas indiscretas por ter uma profissão bastante “incomum”.

Defendia as categorias de base do São Bernando e sonhava em ser profissional. Com 15 anos, entretanto, optou pelos estudos e largou o esporte. Pouco tempo depois, por indicação de um professor de Educação Física, estava de volte e hoje é um dos goleiros da Seleção Brasileira que disputará a Paralimpíada Rio 2016, a partir de amanhã (07).


Vinícius conta que é muito comum ouvir brincadeiras e até que muita gente acredita que sua profissão ser voluntária. “A maior das pessoas tem a seguinte reação: “Como você joga isso?”, “Leva gol de cedo?”. Mas é muito fácil disso passar. Basta ver um jogo e logo percebem que é um jogo muito difícil. A gente que se adaptar. É bem alto nível e hoje vivo disso. As piadinhas sempre vão existir, mas tendem a diminuir com a divulgação cada vez maior”, afirmou o goleiro ao ESPN.com.br

“Outras vezes eu dizia que era goleiro de futebol de cinco, e falavam: “Que bacana fazer trabalho voluntário”. Mas não é voluntário. Auxiliamos, mas somos atletas também. É uma pressão grande pra cima dos jogadores e para nós também.”, acrescentou.

Comunicação

A rotina é como a de qualquer goleiro convencional. Muitos treinos, viagens e competições. Tudo na base da comunicação com os jogadores cegos tanto dentro quanto fora de campo.

“A gente se adapta na comunicação, que é 60% do futebol de cinco. A gente é o olho deles dentro de quadra. Fora de quadra é importante, e a gente acaba criando muita amizade. Eu ajudo no que eles precisam, mesmo eles sendo independentes. Aqui não tem ‘trairagem’ como no futebol convencional, e a gente acaba criando um laço de amizade”, disse.

A ajuda que Vinícius se refere pôde ser vista no documentário ‘Paratodos’, quando o goleiro apareceu “narrando” a semifinal do Mundial de 2014, no Japão, entre Argentina e Espanha, enquanto seus companheiros de time ficaram ouvindo atentamente.

“Não foi muito bem uma narração, né? Eu estava mais ‘secando’ os argentinos”, brincou. A ‘secada’ não adiantou muito, e a Argentina foi para a final. Porém, na decisão, os brasileiros venceram e conquistaram o bicampeonato mundial.

Títulos, inclusive, viraram especialidades do Brasil, que não perde um torneio desde 2007. A equipe conquistou o ouro paralímpico nas três edições desde que o esporte entrou no programa, em Atenas 2004, e é a favorita para repetir a dose no Rio.

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