• Rogger da Costa

O GOLEIRO QUE GANHOU UM NOBEL

Na infância, uma situação peculiar obrigou que Camus se transformasse em goleiro: histórias dão conta de que, a cada vez que chegava em casa, sua avó conferia as solas dos sapatos para ver se não estavam demasiadamente gastas, então, para escapar de surras, resolveu que o melhor era deixar a correria dos jogadores de linha de lado e zelar pela meta de seu time.


Cresceu na posição, chegou a defender o gol de um time universitário e só não foi além na profissão porque uma tuberculose o impediu. Mesmo afastado do esporte, seu amor por ele não parou de crescer. Ao visitar o Brasil em 1949 para realizar algumas palestras. Foi até o município paulista de Iguape, conheceu a tradicional Festa do Senhor Bom Jesus da cidade, e estando acompanhado de Oswald de Andrade e seu filho Rudá, ainda teve tempo para deparar-se com a imensa idolatria ao jogo. E embora debilitado por causa da tuberculose, pediu para que o levassem a ver uma partida de futebol.


Mas não que tenha abandonado completamente o esporte. Em uma de suas frases mais famosas, Camus afirma: "O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem eu devo ao futebol". Outra conhecida citação ludopédica atribuída ao escritor é esta: "Aprendi que a bola nunca vem por onde esperamos que ela venha. Isso me ajudou muito na vida"


E não foi pouco o que Camus fez com essa sabedoria. Autor de alguns dos livros mais importantes da literatura francesa, como "O Estrangeiro" e "O Mito de Sísifo", seus escritos se tornaram reverenciados em todo o mundo muito por conta do modo que expõe os absurdos da humanidade.


Vivendo os embates da primeira metade do século 20, foi filiado ao Partido Comunista, de onde foi expulso para depois se tornar um nome escorraçado pelos vermelhos mais radicais; suas posições também levaram à ruptura da amizade com Jean-Paul Sartre, com quem "quebrou pau" intelectualmente.


Os dois brigaram por causa de suas linhas ideológicas, sendo que o filósofo existencialista, que foi autor de obras como “Mortos Sem Sepultura” (1946) e “Freud Além da Alma” (1984), defendia o uso da violência como via para a revolução no contexto político-social. O Nobel de Literatura veio em 1957, com ênfase ao modo como sua "lúcida sinceridade ilumina os problemas da consciência humana em nossos tempos"


Filho de franceses que residiam na Argélia, Camus nasceu em Argel, capital do país africano, e viveu sob os conflitos culturais que emergem da relação entre a França colonizadora e os diversos países que invadiu, uma situação semelhante à vivida por inúmeros jogadores que vestiram e vestem a camisa da seleção francesa.

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