• Rogger da Costa

NOVO GOLEIRO DO CHELSEA, MENDY TEM HISTÓRIA QUE PODERIA SER ENREDO DE FILME

Post original TRIVELA


Apenas seis anos atrás, quando já tinha 22 anos, Édouard Mendy se via desempregado, tendo que recorrer ao programa do governo francês de assistência a trabalhadores inativos. Àquela época, dificilmente Mendy imaginava que, seis anos depois, se tornaria o goleiro mais caro a sair da Ligue 1, assinando com o Chelsea, onde agora irá disputar a prestigiada Premier League e a sonhada Champions League.


Os Blues anunciaram a chegada de seu novo goleiro nesta quinta-feira (24). Mendy, de 28 anos, assinou contrato por cinco temporadas, e o clube inglês pagou € 25 milhões ao Rennes por sua transferência. O recorde anterior de uma venda de goleiro da Ligue 1 a uma liga estrangeira, curiosamente, fez o mesmo percurso que o goleiro da seleção senegalesa: em 2004, por € 13 milhões, Petr Cech deixou o Rennes para se juntar ao Chelsea.


A história de Édouard Mendy como jogador profissional é um grande enredo de superação, digno de filme. O goleiro iniciou sua carreira em 2011 pelo Cherbourg, da terceira divisão francesa. À época, era apenas a terceira opção no gol, e seus colegas de equipe lembram que o jogador era batalhador e se dispunha a mesmo integrar a equipe secundária do Cherbourg.


“Eu e outros jogadores lutamos para que ele se tornasse titular. Ele era o melhor dos nossos goleiros e sempre foi dedicado, mesmo quando estava no banco”, relembra Ted Lavie, ex-companheiro de Mendy na temporada 2012/13, em entrevista à BBC Sport Africa.


Independentemente de sua qualidade individual, Édouard Mendy, que alternara partidas como titular e reserva, não conseguiu evitar o rebaixamento do Cherbourg à quarta divisão francesa. Em seu último ano no clube, foi titular absoluto, mas viu o time cair para a quinta divisão. Simultaneamente, seu contrato chegava ao fim, e assim começava o mais difícil período de sua vida.


Aos 22 anos, sem clube, ouviu de seu empresário à época que alguns clubes de divisões francesas inferiores haviam estado em contato. Entretanto, acabou abandonado pelo agente: “Não ouvi nada dele, a não ser uma mensagem de texto me desejando boa sorte para o futuro”.


Sem perspectiva, o goleiro retornou à sua cidade-natal, Le Havre, e se inscreveu no pôle emploi, o serviço público francês de assistência a desempregados que ajuda cidadãos franceses a encontrar emprego, além de oferecer auxílio financeiro. Sua decisão de largar o futebol não era final, e Mendy passou um ano se mantendo em forma até que sua nova oportunidade chegou.


Ted Lavie, seu ex-companheiro de Cherbourg, utilizou seus contatos para oferecer a Mendy mais uma chance. “Conversei com um de meus amigos, Dominique Bernatowicz, responsável pelos goleiros na academia do Marseille, e ele buscava preencher um último posto. Eu lhe disse que joguei com um cara muito bom, grande, inteligente, com muita margem de progressão. Acrescentei que ele buscava qualquer chance que pudesse encontrar”, lembra Lavie à BBC Sport Africa.


Mendy então se reuniu com Bernatowicz, causou uma boa impressão, e o Olympique de Marseille lhe ofereceu um contrato por um ano como amador, o que lhe garantiria um salário mínimo. A compensação era pouca, mas um alívio ao goleiro, que deixara sua namorada em Le Havre, grávida, vivendo à distância enquanto o jogador ganhava seu sustento.


Ao longo daquele ano, Mendy jogou pouco na equipe B do Marseille, mas foi suficiente para atrair a atenção de outros clubes franceses. No verão de 2016, aceitou o desafio de se juntar ao Stade Reims, na Ligue 2, e contou com a sorte para dar início a uma nova fase em sua vida.


Logo no primeiro jogo, Carrasso, goleiro titular do Reims, foi expulso no primeiro tempo da partida de abertura da temporada contra o Amiens, fora de casa. Mendy então entrou em campo e fez um grande jogo, ajudando a equipe a conseguir um empate em 1 a 1. A boa impressão inicial, é claro, não foi suficiente para lhe garantir de bate-pronto o posto de titular, mas foi um bom começo. Ao longo daquela temporada, o goleiro cresceu internamente, sendo um dos líderes do grupo mesmo como goleiro reserva.


Por fim, em 2017/18, foi nomeado o titular do Reims e viveu grande temporada na segunda divisão francesa, passando 19 jogos dos 38 sem ser vazado e ajudando a levar o clube à Ligue 1. Em 2018/19, já na elite, manteve sua ascensão, destacou-se mais uma vez individualmente e se transferiu ao Rennes, então atual campeão da Copa da França. Foi também ao longo desta temporada que ganhou sua primeira chance na seleção senegalesa e virou o titular dos Leões da Téranga, como é conhecida a equipe nacional.


Na curta temporada passada da Ligue 1, passou nove jogos sem ser vazado de 24 disputados, sofrendo um total de 19 gols. Agora, como oportunidade de mercado e diante de uma crise de goleiros no Chelsea, acerta sua transferência à equipe de Frank Lampard, chegando para ser titular em meio à crescente desconfiança sobre a capacidade de Kepa Arrizabalaga.


Embora tenha toda uma história a escrever no Chelsea e na principal liga do mundo, Édouard Mendy já tem toda uma trajetória de luta e superação de adversidades da qual se orgulhar. Não foi só esforço, é claro, que o trouxe até aqui.


Em comparação com Kepa, atual titular dos Blues, Mendy viveu uma temporada 2019/20 muito superior. Sofreu 0,79 gol a cada 90 minutos, contra 1,41 do espanhol; em termos de xG, fez com que o Rennes deixasse de sofrer 1,7 gol esperado, enquanto Kepa permitiu que 9,6 bolas não esperadas balançassem as redes; e, por fim, sua porcentagem de defesas em chutes a gol foi também significativamente melhor que a do espanhol: 78,4% contra 54,5%.


Sempre que colocado à prova em sua carreira, Mendy correspondeu e provou ser merecedor de suas chances. O desafio de agora, no entanto, é o maior de todos eles, e os olhos do mundo todo estarão o escrutinizando. Que sua história de superação lhe reserva mais um capítulo especial.


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