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Honrando a escola de goleiros brasileira, conheça Emídio Júnior


Brasileiros, futebol e o mundo. Não importa onde esteja, qual seja o país ou o dialeto. Lá estará um brasileiro para praticar o esporte ou até mesmo treiná-lo. Com Emídio não é diferente, pernambucano de Caruaru, como a maioria dos brasileiros tinha o sonho de ser jogador de futebol na Europa, porém o destino lhe pregou uma peça um tanto quanto diferente. Em entrevista para GE, Emídio conta que enquanto dava conselhos para os “guarda redes” mais novos do Andorinha, time da Ilha da Madeira, de Portugal, foi observado pelo presidente do clube que lhe fez a proposta para ser o preparador de goleiros, ou treinador de guarda redes, como queiram, prontamente Emídio aceitou o convite e desde ali começara sua carreira. Dali para frente nosso preparador passou de preparador de goleiros da base para o profissional, em 2011 recebeu convite para ser preparador de goleiros do Nacional da Ilha da Madeira e em 2012 já estava trabalhando no profissional, sendo destaqque na liga portuguesa pela pouca idade e um trabalho de tanta responsabilidade.

Não bastasse somente a oportunidade de trabalho, Emídio também aproveitou para se especializar e tirar as tão sonhadas licenças da UEFA, sendo portados do nível “Pro” o maior que um treinador pode obter na Europa, realmente um modelo de profissional a se espelhar. O Voa Goleiro entrou em contato com o profissional, que está de férias no Brasil, e traz aqui noticias e curiosidades interessantes a respeito do preparador de goleiros que nos representa tão bem pela Europa.

1- Qual a maior diferença entre a preparação de goleiros no Brasil e na Europa?

Como sempre falo, a nossa preparação é e continuará sendo a melhor escola de goleiros do mundo (minha opinião), a grande diferença no meu ponto de vista está sendo o goleiro líbero, distribuição de jogo, a preparação para este modo ou modelo de jogo no qual eles incluem o goleiro como peça fundamental neste processo, muitas vezes o goleiro joga mais com os pés do que propriamente com mãos, mas o goleiro nunca vai deixar de ser goleiro, mas buscando sempre essa adaptação na forma de jogar.


Como disse anteriormente, nossa preparação é de excelência e em Portugal eles tem uma admiração pelos “guarda redes” brasileiros, são goleiros que te dão garantias e trazem experiências vividas e dificuldades que infelizmente passamos no Brasil que são uma mais valia aqui em Portugal. Por isso é completamente normal tanto na primeira liga como na segunda encontrar ótimos goleiros brasileiros.

3- Técnica ou eficiência e porquê?

Acho que ambos andam lado a lado, mas prefiro a eficiência. Pois no fim de semana todos nós queremos ver nossos goleiros sem nenhum gol sofrido. Como digo muitas vezes: não existe defesa feia, feio é falhar! Mas isso podemos entrar em outro debate, dependendo do contexto no qual o goleiro está inserido, no caso de trabalhar em formação (base) eu daria mais ênfase à técnica, e a partir daí retirar o melhor do meu goleiro aliando a técnica com eficiência.

4- O que  escola de goleiros brasileiros tem a ensinar para a portuguesa e o que a escola de goleiros portuguesa tem a ensinar para a brasileira?

Seria muito interessante a troca de experiências. A escola Brasileira com toda sua preparação técnica na perfeição, como digo, sou um treinador tecnicista, trago essa “base” do Brasil e que me ajuda muito, enquanto os treinadores portugueses são mais observadores em relação a comportamentos durante o jogo, posicionamentos, não descuidando da parte técnica, que acho fundamental em todo o processo de treino, mas existem aqui em Portugal treinadores de goleiros de excelência que admiro muito o trabalho deles.

5- Portador da “Pro License” pensa em algum dia ser treinador de alguma equipe? Se sim qual importância teria o goleiro no seu modelo de jogo?

A ideia de tirar o UEFA Pro foi para alargar mais os conhecimentos sobre o jogo em seu todo, não olhar apenas para a baliza. Conseguir debater melhor sobre todos os processos de treino da equipe e táticas elaboradas pelos treinadores onde trabalho e vou trabalhar no futuro, se um dia pensar em ser treinador principal, acho que não, não me vejo com este perfil, mas se isto um dia chegasse a acontecer iria estar olhando sempre para a baliza (costume de olhar para os goleiros).

6- Sabemos que no Brasil a classe de preparação de goleiros é ainda muito desvalorizada, como acha que isso pode se reverter?

Não só no Brasil que vejo essa desvalorização, aqui na Europa ainda.

Olham com olhos pequenos para nós treinadores de goleiros, muitos pensam que ser treinador de goleiros é apenas chutar umas bolas para os goleiros pularem e já estão prontos para o jogo, mas nós que estamos na área sabemos muito bem que não é bem assim, existe todo um processo de elaboração, análises detalhadas, busca constante pela evolução de nossos atletas que quase ninguém vê, como podemos mudar isso? Acho que sempre buscar melhorias e conhecimentos na nossa área, e não só isso. Precisamos fazer com que nosso trabalho se reflita no jogo e cada vez mais os goleiros estejam sempre melhores preparados para toda e qualquer situação que possa acontecer no jogo, e de certeza um dia, algum treinador, algum dirigente vai observar com outros olhos o nosso trabalho e então ser valorizado, como acontece com alguma frequência aqui na Europa, treinadores levarem treinadores de goleiros em sua comissão técnica.

7- Uma dica para os jovens preparadores de goleiros que buscam espaço no mercado?

Eu comecei a dar treinos para os goleiros muito jovem, aos 24 anos já estava eu trabalhando com os “miúdos”, como chamamos aqui em Portugal. No início, eu observava muitos treinos de goleiros dos times profissionais aqui da ilha, saía mais cedo de casa e ficava vendo os treinos, tentava fazer os mesmos treinos com as crianças e percebia que não era o correto, fruto da minha inexperiência também. Aos poucos tentava falar com preparadores de goleiros e começava a trocar ideias, comecei a ver o treino de outra forma, mas a dica que passo é: estar em busca constante pelo conhecimento, ainda mais que hoje em dia esta busca é relativamente mais fácil (internet, cursos a distância e etc…) e que é uma área que está em muita evolução e para quem entrar no mercado vai precisar estar bem preparado para o grande e gostoso desafio que é trabalhar com os goleiros.

8- Pensa em voltar para o Brasil?

Sim, lógico que um dia penso em voltar. Como digo sempre: nós saímos do Brasil mas o Brasil não sai da gente. Executar meu trabalho ai no Brasil seria um grande prazer, pois ainda tenho o desejo de disputar um campeonato brasileiro, mas por enquanto vou continuar por aqui, aprendendo a cada dia que passa, buscando sempre a melhoria dos goleiros com os quais trabalho e isso é que vai nos dando a motivação para estar longe de casa e longe da família e amigos.

9- Como vê o nível dos goleiros do nosso país atualmente e qual seria o seu goleiro para seleção brasileira?

Como disse anteriormente, a preparação de goleiros ai no Brasil é de excelência, admiro não só por ser brasileiro, mas o goleiro brasileiro é respeitado aqui na Europa, lógico que depois de entrar naquele processo que falei de adaptação fica um goleiro de TOP. Acho que para seleção brasileira neste momento e pelo que tenho acompanhado temos o Fernando Prass, Vitor, Alisson, Diego Alves, Cassio, Marcelo Ghroe. Magrão, apesar da idade, está em excelente forma, citei alguns goleiros experientes. Entram por fora a nova safra de goleiros, vi bons jogos do goleiro do Bahia, e do América mineiro também, e sem falar no que acho eu neste momento sera a maior promessa de goleiro brasileiro neste momento, que tive a chance de acompanhar bem de perto toda a sua evolução, que é o Ederson Moraes. Há vários nomes e acho que estamos muito servidos de goleiros no Brasil o que me deixa bem tranquilo para a disputa da próxima copa do mundo, e como digo as vezes, não vai ser por ali que a corda vai arrebentar (e espero que não arrebente risos).


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