• Rogger da Costa

GEL, CALÇA E PIX: CONHEÇA O GOLEIRO QUE TIROU O CRUZEIRO DA COPA DO BRASIL

Pés firmes no chão, mesmo após o dia do maior feito em 22 anos de carreira. É assim que o goleiro Rodrigo Calaça, herói da classificação da Juazeirense-BA sobre o Cruzeiro na terceira fase da Copa do Brasil, acordou nesta quinta-feira (10). Aos 40 anos, o catalano, radicado em Belo Horizonte, cidade que escolheu para morar e ficar mais perto da família da esposa, dá show de humildade e fair play.


Ao invés de usar da provocação para comemorar o triunfo sobre a Raposa, Calaça adota discurso de respeito ao adversário, pelo qual torce para que dê a volta por cima e saia desta crise que parece sem fim. Para ele, inclusive, o clube celeste precisa voltar com urgência ao lugar do qual jamais deveria saído: das grandes competições nacionais e internacionais.


Tenista nas horas vagas - ele diz 'dar show' nos amigos nas quadras do Minas Tênis Clube, em BH -, o goleiro da Juazeirense foi o grande responsável por garantir ao clube baiano o prêmio de R$ 2,7 milhões, pela classificação às oitavas de final da Copa do Brasil; feito este, inclusive, nunca antes alcançado pela equipe de Juazeiro.


"Estou bastante tranquilo. A ficha já caiu (da conquista de ontem). Tenho 22 anos de profissional e sei bem como é. Fica a emoção no dia do jogo, mas depois a gente já vira a chave e entra na realidade. Temos a Série D pela frente. Ficamos felizes, mas a vida segue. Não podemos nos apegar no que aconteceu e nos afetar emocionalmente. Sempre tive referências boas, como Magrão, Dida, Werverton. São goleiros centrados, tranquilos. Isso serve para as glórias e para as tristezas", comenta ao UOL Esporte.


"A diretoria da Juazeirense me observou no ano passado, quando defendia o Gama-DF na Série D. Fizeram um mapeamento dos reforços e me convidara. O clube não tem um Centro de Treinamentos e pode usar esta premiação para construí-lo. Todo time precisa de um bom campo para treinar", acrescenta.


Apesar das raízes goianas, Rodrigo criou grande afinidade por Belo Horizonte, onde, além de familiares da esposa, tem a presença de grandes amigos. Ontem, após a vitória na disputa por pênaltis contra o Cruzeiro, ele aproveitou para aumentar os laços com Fábio, arqueiro da Raposa, com quem pretende conviver mais de perto na capital mineira.


"Ao longo da minha carreira, eu e o Fábio sempre tivemos uma amizade boa dentro de campo, trocando camisas, por exemplo. Até pelo Robertinho, que era o treinador dele. Falei para ele que temos que nos encontrar em Belo Horizonte. Amizade sempre é bom. Daqui a pouco estamos encerrando a carreira, então este contato é bom. Depois da aposentadoria as pessoas esquecem e não podemos esquecer de ninguém. Ele representa muito no futebol. Temos que fortalecer a amizade", acrescenta o goleiro que defendeu o Goiás por 13 anos.


Brincadeiras após o jogo

Sobre as brincadeiras de atleticanos e outros torcedores com o feito alcançado pela Juazeirense, Calaça vê com bons olhos. Segundo ele, inclusive, se estiverem dentro do limite do respeito, são muito bem-vindas.


"A brincadeira sempre vai existir no futebol, mas desde que tenham limite e que sejam sadias. Quando eu estava no Goiás, o Vila perdia e tinha muita zoação, e vice-versa. Em Minas, todo mundo sabe da rivalidade entre Atlético-MG e Cruzeiro. Às vezes, os torcedores se alegram muito mais com a derrota do rival do que com a própria vitória. Isso é bacana", comenta o arqueiro.


Sósia do presidente do Cruzeiro?

Uma das brincadeiras feitas nas redes sociais e também ao longo das transmissões da TV foi a semelhança física entre o goleiro e Sérgio Santos Rodrigues, presidente da Raposa. Perguntado se, de fato, se parecem, Calaça concordou. Contudo, no perfil do Instagram, ele já se comparou ao artista espanhol Antonio Banderas. É mole?


"Sobre o gel no cabelo, até falei com o presidente do Cruzeiro. Brinquei com ele que as pessoas falam que parecemos um com o outro. Até pedi para tirar uma foto. Tenho admiração por ele, pelo Gustavo da base. São pessoas sérias. Minha torcida é para que o Cruzeiro volte a ser o que sempre foi; time de primeira divisão, disputando Libertadores, Copa do Brasil, a Série A", comenta o camisa 1 do time baiano.


Goleiro de calça

Sobre a vestimenta durante os jogos, em que chama a atenção por preferir a calça ao short, Rodrigo explica o motivo. E ele vai além de vaidade ou qualquer outra coisa remetente à estética.


"Sempre joguei de bermuda, mas quando saí do Goiás para o Itumbiara-GO, naquele campo ruim, de chão duro, resolvi jogar de calça. Isso em 2014. Acabei acostumando. O Zetti sempre foi uma referência e jogava de calça, assim como o Ceni no início da carreira. Se voltar a jogar só em campo bom, volto a usar a bermudinha de novo. Quem sabe?", finaliza o herói da quarta-feira.



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