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Felipe Alves e uma reflexão necessária: a importância do goleiro no modelo de jogo do Fortaleza

Foto: Mateus Dantas 

Por André Almeida, do Diário do Nordeste

Dois jogos foram suficientes para que torcedores do Fortaleza criticassem Felipe Alves. Após o empate com o Atlético-MG e a derrota para o Corinthians, vários tricolores, sobretudo nas redes sociais, pediram o retorno de Marcelo Boeck à meta. Boeck é bom goleiro, ídolo e tem grande importância pro clube. Mas o que a torcida precisa entender (e o tema desta postagem) é: Felipe Alves, hoje, é muito mais importante para que o mecanismo montado por Rogério Ceni tenha sucesso.

A justificativa dos que pediram a troca era que Felipe Alves “inventava” em sair jogando com os pés, algo considerado “desnecessário para um goleiro, que precisa se preocupar apenas em defender com as mãos“. Quem fez, faz ou fará tal afirmação não tem a consciência da importância do camisa 12 para o modelo de jogo do Tricolor.

No esquema de Rogério Ceni, Felipe Alves é mais que um goleiro. É ele o primeiro construtor do time.

As jogadas que começam em seus pés não são “invenção”. O recurso é uma forma de criar superioridade numérica para manutenção da posse de bola e sair da pressão dos adversários no momento que os oponentes, não acostumados a isso, adiantam as linhas de marcação e ficam desorganizados.

Isso é algo extremamente treinado e coordenado. Não é obra do acaso.

Muitos não prestam atenção, mas são várias as jogadas ofensivas do Fortaleza que começam por conta deste recurso. Como por exemplo o 2º gol na vitória sobre o CSA, no último domingo. Veja:

Zagueiro, Goleiro, Volante, Goleiro, Atacante, Lateral, Volante, Atacante, Centroavante, Lateral, Gol. ⠀⠀ 9 passes, 7 jogadores, goleiro participando e bola no fundo da rede. #VamosFortaleza #FortalezaEC pic.twitter.com/EEbhwkMuJv — Fortaleza Esporte Clube ⭐️ (@FortalezaEC) November 19, 2019

Tento explicar mais didaticamente a importância de Felipe Alves aqui. Repare como a ação do arqueiro é a primeira na jogada que se desenha numa espécie de efeito dominó:

Parte 1 do gol do Fortaleza

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Felipe Alves, inclusive, recentemente explicou didaticamente sobre como isto é uma arma para criar armadilhas aos adversários (veja vídeo abaixo).

Felipe Alves, goleiro do @FortalezaEC, deu uma AULA pra quem não reconhece a importância do goleiro num modelo de jogo. Destacando que é uma ação muito treinada e coordenada para gerar superioridade numérica no início das construções ofensivas. pic.twitter.com/GDKfzs2Q4q — André Almeida (@andrealmeidac) November 11, 2019

Aí muitos dizem: “goleiro tem é que defender“, como se Felipe não fosse excelente com as mãos. A espetacular defesa na finalização de Luiz Otávio no Clássico-Rei é só uma demonstração do quanto ele tem feito temporada brilhante em 2019 nos diversos aspectos.

Em sua fala extremamente consciente, o goleiro deixa uma reflexão necessária.

No futebol atual, em que a coletividade é cada vez mais decisiva, a inserção do goleiro no modelo de jogo se faz necessária.

Não é “invenção”, e pode ter certeza que, se o Fortaleza tem conquistado muitos dos seus objetivos nesta temporada, muito deve também ao seu goleiro.

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