• Valdir Bardi

EXPERIÊNCIAS TRAZEM AUTONOMIA

Quando comecei a minha carreira de treinador de goleiros, tive experiências que hoje me remetendo as mesmas vejo como foram importantes para minha evolução de treinador. Imagino que todos nós temos essas experiências nos mostram como e qual caminho a seguir, tendo muita importância em nossas evoluções, no esporte e na vida.


É verdade também que aprendemos mais com os erros do que com nossos acertos. E são esses mesmos erros que nos remetem a exercer aquilo que queremos, daí o termo experiência.


Bem... Na Coréia do Sul, o que me ocorreu e quero compartilhar foi o seguinte: treinava na Daewha Middle School, uma das piores escolas de futebol nos anos que lá estive. Havia um goleiro de 14 anos anos que tinha começado a jogar no gol com 13, mas somente ali comigo é que foi inserido na vivência de treinamentos específicos para a posição.

Passadas duas semanas de treinamentos diários após as aulas da escola, surgiu a oportunidade de jogar. No dia do jogo o pai dele viria assistir ao filho, não contente traz a sua cadeira e a coloca atrás do gol do filho, até aí o meu respeito e admiração por um pai que de perto quer acompanhar de perto a carreira do filho, porém desde o começo o do jogo ele põe-se a falar com o menino de 14 anos que nunca tinha jogado, perdemos esse jogo. Jin Hyeok o goleiro fez uma boa partida, apesar dos pesares...


Passada mais uma semana, o segundo jogo. Novamente o pai com a cadeira atrás do gol, às vezes do lado sempre a falar e dar ordens ao menino, até o momento que tive de intervir.


E nesse contexto foi muito difícil fazê-lo, pois o mesmo me impedia, na Coréia, pelo fator de idade, mais novos não podem dar ordens aos mais velhos. Tive então de usar a "carta na manga", o fato de ser treinador e querer o que o pai o queria ajudou, ambos queríamos ver Jin Hyeok jogando bem, por mais que às vezes falhas acontecessem.


E foi explicando ao seu pai que ele só melhoraria a partir do momento que entendesse e vivenciasse as falhas sozinho, mesmo que isso lhe custasse uma noite mal dormida, uma derrota nas suas costas. Era necessário, expliquei na época, que o meu trabalho era até o jogo começar. Passavam mais 15 minutos entre o 1˚ e 2˚ tempo e retomava o trabalho quando o jogo terminasse, e gostaria que o pai seguisse esse mesmo modelo, não porque eu o dizia, mas porque no futebol e na vida é assim que evoluímos, criamos a nossa autonomia, errando para aprender, por mais doloroso que seja, depois do jogo como treinador conversamos onde, como e de que forma vamos fazer para não acontecer novamente. Na vida é assim que os pais deveriam também atuar, e muitos os fazem.


Por mais que o desfecho não tenha sido dos melhores, Jin Hyeok não virou profissional, eu ganhei bons amigos, o pai compreensivamente entendeu a função dele. O goleiro jogou até os níveis universitários. Hoje, passados 14 anos, estuda para tirar suas licenças de treinador de goleiros e até hoje conversamos a respeito da posição.


Eu, hoje, tirando as minha licença leio algo que me fez remeter e querer compartilhar essa experiência com vocês, algo sobre o goleiro e a criação da autonomia perante sua formação tática, ou diria vida?!



O futebol imita a vida.

Valdir Bardi Treinador de Goleiro.


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