• Rogger da Costa

DONI REVELA QUE INDICOU ALISSON AO LIVERPOOL, MAS, NA ÉPOCA, A DIRETORIA PREFERIU KARIUS

Nesta terça-feira, o Liverpool recebe o Midtjylland, em Anfield, pela 2ª rodada da fase de grupos da Champions League. Para vencer, os Reds contam com o goleiro Alisson, titular absoluto da equipe, que finalmente se recuperou de lesão e voltará a jogar pela equipe inglesa na Liga dos Campeões.


O brasileiro, que está em sua 3ª temporada na Inglaterra, é um dos principais homens de confiança do técnico Jürgen Klopp no elenco, e, a cada partida, justifica os incríveis 72,5 milhões de euros (R$ 481,55 milhões, na cotação atual) investidos para tirá-lo da Roma, na janela antes de 2018/19.


Mas, apesar do dinheiro gasto ter valido a pena, a verdade é que os Reds tiveram a chance de ter Alisson por uma "pechincha", mas deram bobeira.


Quem revela é o ex-goleiro Doni, que jogou pelo Liverpool entre 2011 e 2013 e segue tendo bom contato com a equipe britânica.


Em entrevista à ESPN, o ex-Corinthians, Santos, Cruzeiro e seleção brasileira revelou que indicou Alisson ao clube de Anfield quando o arqueiro ainda estava surgindo no Internacional. No entanto, o time inglês acabou deixando a oportunidade passar...


"Eu indiquei o Alisson para o Liverpool antes da Roma comprá-lo! O Liverpool teve a chance de comprá-lo bem mais barato. Eu indiquei ao treinador de goleiros do clube, John Achterberg, mas eles decidiram não contratar", contou Doni.


No fim das contas, Alisson foi comprado pela Roma por apenas 7,5 milhões de euros (R$ 49,82 milhões) pela Roma, sendo vendido ao Liverpool apenas duas temporadas depois por um valor quase 10 vezes maior.


De acordo com Doni, os Reds resolveram não investir em Alisson quando ele estava no Inter por não acharem que ele estava pronto para encarar a Premier League.


"Na época, eles me disseram que queriam um goleiro mais concreto. O Liverpool não é de fazer apostas, como a Roma apostou em mim e no Alisson. Quando você tira um goleiro do futebol brasileiro e leva para a Europa, ele chega cercado de dúvida. Tinham muito mais dúvidas no passado, é verdade. Na minha época, inclusive, contratar goleiro brasileiro era visto como loucura, pois não era normal", recordou.


O ex-goleiro da seleção conta, inclusive, que John Achterberg gostou do que viu de Alisson em ação, mas a diretoria do clube acabou optando por buscar outro nome.


No caso, o escolhido foi Loris Karius, trazido do Mainz por 4,7 milhões de libras (R$ 34,41 milhões, na cotação atual) e que é lembrado até hoje pelas clamorosas falhas cometidas na decisão de Champions que o Liverpool perdeu para o Real Madrid, em 2017/18.


"O treinador de goleiros gostou muito do Alisson quando eu indiquei, mas quem resolve se contrata ou não é a diretoria, junto com os donos do clube. É uma metodologia que se baseia pouco em consultas e é mais direta. E é bem diferente da Roma, que tem o sistema no qual quem decide se contrata ou não é o diretor esportivo junto com o treinador", salientou.


No fim das contas, Alisson chegou a Anfield com dois anos de "atraso", mas hoje é considerado um dos melhores goleiros do mundo - para muitos analisas, ele é o melhor.


De acordo com Doni, o compatriota é o arqueiro "mais completo" do planeta no momento.


"Estou muito feliz pelo sucesso que ele teve na Roma e pelas conquistas no Liverpool. É um jogador que se tornou o melhor goleiro do mundo. Torço muito por ele, mesmo não o conhecendo pessoalmente. Ele transmite a impressão de ser um cara muito legal, e está se tornando um atleta muito importante na história dos goleiros", observou.


"A escola italiana de goleiros é a melhor do mundo, e, antes disso, ele pegou a escola do Brasil, que é muito boa e te dá uma base diferente. Ele fez o 'mestrado', digamos assim, na Itália, e depois caiu na Premier League, que é o melhor campeonato do mundo, o mais rápido e completo. E tudo isso te prepara bem demais para jogar a Liga dos Campeões também", explicou.


Alisson, aliás, é treinado diariamente por John Achterberg, que também era preparador na época de Doni.


"Na minha época de Premier League, a gente trabalhava com 12 bolas ao mesmo tempo, girando o corpo e levantando. Pra você ver a diferença, na Itália são seis bolas no máximo. E não pode girar o corpo. O treinador uma vez me falou: 'Você está aonde, no circo? Nunca vi isso!' (risos). Ele me fazia levantar como faz a escola italiana: de frente. E tem goleiros que não conseguem nunca se adaptar a isso, porque goleiro é muito teimosos (risos)", brincou.


"Eu aprendi muito com o John. Nós conversamos até hoje e ele está muito feliz com o progresso do Alisson. O John inclusive me disse que o Alisson chegou 'teimoso' igual eu na Inglaterra, porque a gente adora sair jogando com os pés. Mas a velocidade lá é outra. O John sempre me falava que eu ia perder a bola e levar gols por isso. O Alisson até levou alguns gols assim no começo, mas logo se adaptou", recordou.


"O John trabalha muito para que o goleiro fique em pé também, porque golerio brasileiro adora cair no chão em lance de um-contra-um. Pode reparar que, depois que passou a treinar no Liverpool, o Alisson aumentou a velocidade de reposição com os pés e não se joga mais tanto. Ele mudou os hábitos e está cada dia mais completo", ressaltou.


Por fim, Doni ressalta que Alisson também aprendeu a "sobreviver" às pancadarias que são os lances de bola na área no Campeonato Inglês.


"No Brasil, o futebol é muito mais lento que o Europeu. Quando alguém cruza a bola na área, ninguém rela em você, porque o juiz sempre marca falta. E isso atrapalha muito os goleiros brasileiros na adaptação à Europa. Na Inglaterra, os caras te dão murro, chute e o árbitro faz de conta que não vê. Quando você sai do gol, tem que atropelar todo mundo, porque não vão marcar falta em cima de você. E até nos treinos é sempre assim: os atacantes dão carrinho e chegada mais forte, porque no jogo é assim também", finalizou.

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