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De coadjuvantes a protagonistas

Imagem/Reprodução: Internet

Tempos atrás, pouco depois de a profissão de Goleiro ser efetivamente inserida no futebol, em 1871, os gordinhos, os fracos, os mais limitados ou aqueles que tinham pouca intimidade com a bola é quem atuavam como arqueiros.

Isso acontecia em praticamente todos os lugares onde se praticava o esporte mais querido do mundo. Para os que não apresentavam claramente o dom de controlar a bola com os pés, o destino era justamente ficar debaixo das traves, como disse o amigo e escritor Paulo Guilherme, em seu livro “Goleiros”.

“Eram as vítimas ideais para a consagração dos que se julgavam os verdadeiros bons de bola. Não pareciam ser capazes de obstruir a consagração dos garotos em busca da glória de um gol”.


“Enquanto os outros dez jogadores da equipe andam para a frente, com o objetivo máximo de marcar o gol, o goleiro vê todo o fluxo da partida seguindo em sua direção, como um gladiador acuado na arena. Até que suas mãos ganham uma elasticidade inusitada e ele consegue esticar a ponta dos dedos para desviar a bola o suficiente para transformar todo o clímax gerado por aquela jogada em uníssono: uuuhhhh! É o goleiro, o estraga- prazeres, o anticlímax do futebol”, ressalta o escritor em seu livro.

Nos tempos em que a profissão ainda não havia conquistado de vez a graça do público, o goleiro só aparecia na televisão sofrendo gols. Os holofotes eram voltados apenas aos jogadores de linha. Embora atualmente isso tenha perdido a força, o goleiro continua enfrentando dificuldades para conquistar um espaço maior dentro do seleto grupo dos privilegiados.

Paulo Guilherme retrata bem quando diz que “Suas defesas não entram em nenhuma estatística; ao contrário, os números mostram apenas o total de gols sofridos, como se todo o resto do trabalho feito não contasse. E, na maioria das vezes, não conta mesmo”.

Isso começou a mudar, graças a Deus, a partir do momento em que ele, o arqueiro, passou a ser peça fundamental dentro campo. Por ser um jogador cujas obrigações se limitam a evitar que o ataque adversário atinja seu objetivo, o atleta que atua na posição “ingrata”, como muitos dizem por aí, tem a possibilidade de aproveitar os momentos pontuais de solidão para desenvolver outras habilidades e funções dentro das quatro linhas, porém sem a bola nos pés – ou nas mãos. Dessa forma que o goleiro iniciou sua evolução. Foi quando entrou em cena o visionário Professor Valdir Joaquim de Moraes. Na década de 1960, quando era o goleiro do Palestra Itália, o professor Valdir já sentia a necessidade de um treinamento específico para deixá-lo ainda mais preparado para as grandes batalhas.

Ele sabia que apenas os jogos e os exercícios físicos não o condicionariam completamente. Seria necessário algo que trabalhasse repetitivamente as técnicas de um goleiro para que aquilo passasse a ser automático dentro de campo.

Tão logo que se aposentou como jogador, em 1968, o Sr. Valdir convidado pelo então treinador do Palmeiras, Osvaldo Brandão, voltou a trabalhar no clube. Ele aceitou com a condição que esse trabalho fosse dedicado ao goleiros. Brandão aceitou na hora e a assim que nasceu a profissão de treinador de goleiros.

Esse foi o pontapé inicial para a evolução da posição, que atingiu um nível de eficiência incrível. Da década de 1970 para cá, os goleiros mudaram muito. Deixaram de ser os esquecidos coadjuvantes e “estraga prazeres”, para se tornarem verdadeiros protagonistas em diversos jogos e campeonatos, conquistando a posição de verdadeiros ídolos de seus clubes, seleções e até mesmo de uma geração.

*Em breve haverá um texto totalmente dedicado ao grande Joaquim Valdir de Moraes. Fique ligado!

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