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Com sobrenome que pesa uma tonelada, Schmeichel se prepara para o auge em primeira Copa

Atualizado: Mai 21

Um sobrenome como o dele abre portas no futebol europeu, mas também pode pesar uma tonelada nos ombros de quem o carrega. Kasper Schmeichel, entretanto, passou por cima das duas coisas: dispensou as facilidades que o pai poderia proporcionar e pavimentou seu próprio caminho, no tempo que seu talento permitiu. Filho de Peter Schmeichel, considerado um dos maiores goleiros da história, o dinamarquês, de 31 anos, disputará, na Rússia, sua primeira Copa do Mundo. Será o apogeu de uma carreira que levou certo tempo para deslanchar.

Para se ter uma ideia, camisa de time grande, ele vestiu apenas quando surgiu para o futebol, no Manchester City, em 2007, onde seu pai se aposentou quatro anos antes. Peter foi ídolo e multicampeão no rival United durante oito anos, mas virou a casaca antes de abandonar os gramados.

Kasper chegou ao City pelas mãos do pai e, desde cedo, teve de lidar com as comparações com o Schmeichel mais velho. Sem espaço no clube, que começava seu processo de crescimento com a entrada de capital estrangeiro, o goleiro rodou por empréstimo por outras sete equipes, incluindo algumas da quarta divisão da Inglaterra, até chegar ao Leicester, em 2011, aos 25 anos. Na Série B inglesa, parecia ter atingido seu ápice. Só restava a ele permanecer resiliente – estava fadado a viver na sombra do pai,e precisaria absorver essa condição.

– Eu sempre relevei as comparações, mas cheguei a um ponto da minha vida em que eu tinha 29 anos e já era pai. Eu pensei, “não, não vou mais aceitar isso”. Quer falar comigo, fale, mas não faça piada de mim ou tente me insultar indiretamente – desabafou em entrevista ao jornal “Daily Mail”, em 2015.

Na época, a abordagem dos torcedores incomodava também Peter, o pai. Não era bom ver o filho ser cobrado para repetir aquilo que ele havia sido – ídolo de um grande clube e campeão europeu com a seleção dinamarquesa.

– Meu pai também odeia as comparações que fazem. E ele é mais ríspido que eu. Uma vez saímos para jantar e um homem se aproximou, apertou sua mão e disse: “Você é uma lenda, amigo. Seu filho está indo bem, mas ele nunca será tão bom quanto você foi”. Meu pai então olhou para ele e disse: “Saia daqui! Você acha que vai vir até mim, insultar meu filho, e ficar tudo bem?”.

A guinada no comportamento de Kasper coincidiu com o destaque em uma das mais surpreendentes campanhas do futebol mundial nos últimos anos. O pequeno Leicester, com apenas duas temporadas na Primeira Divisão, desbancou os gigantes da Premier League e ficou com o título na temporada 2015/2016.

Kasper Schmeichel foi um dos destaques daquela equipe que entrou para a história e um dos líderes em campo. Pela primeira vez, seu talento foi reconhecido sem que fosse preciso dimensioná-lo a partir dos feitos alcançados pelo pai.

Titular em nove dos 12 jogos das eliminatórias Convocado pela seleção da Dinamarca desde 2011, Kasper foi titular em nove de 12 partidas de sua seleção nas Eliminatórias para a Copa. A classificação para o Mundial veio na repescagem, contra a Irlanda. O sonho, sem comparações, é repetir o feito do pai, que foi até as quartas de final na Copa da França, em 1998 – os europeus foram eliminados pela seleção brasileira.

– Jogar a Copa do Mundo definitivamente é um sonho para mim. É claro que é. Não há muita coisa maior do que poder representar meu país em um Mundial – afirmou ele ao “Leicester Mercury”.

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