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Bravo sempre foi um “goleiro de Guardiola”, mesmo antes de trabalharem juntos

Claudio Bravo trocou o Barcelona pelo Manchester City e defende as metas do time de Guardiola na próxima temporada. O anúncio saiu depois que os catalães fecharam com o seu substituto, o holandês Cillessen. O Ajax, por sua vez, contratou Tim Krul. No fim, todos ficaram felizes. Menos o Newcastle e Joe Hart, que se tornou a terceira opção no Etihad Stadium e pouco depois foi emprestado ao Torino, da Itália.



Joe Hart também é um ótimo goleiro, titular da seleção inglesa e entre os melhores do mundo segundo o lendário Buffon, mas tem uma propensão maior a erros. O ponto chave para a decisão de Guardiola, no entanto, teve mais a ver com os pés do que com as mãos. Porque Bravo, ao longo da carreira, foi influenciado por vários adeptos da filosofia de futebol que o técnico espanhol segue e encaixa como uma luva nas suas pretensões para o Manchester City.

Um texto da Sky Sports é perfeito para mostrar quantas vezes Bravo cruzou com entusiastas desse estilo que deriva do “futebol total” de Rinus Michels e Johan Cruyff, que prioriza a posse de bola e exige que todos os jogadores, inclusive o goleiro, participem da construção das jogadas ofensivas.

O primeiro treinador de goleiros de Bravo, ainda no Colo-Colo, foi Julio Rodríguez, que aproveitou uma passagem do Ajax pelos Estados Unidos para conhecer Frans Hoek, contratado por Cruyff para trabalhar com os arqueiros do clube holandês, na metade da década de oitenta. Hoek tornou-se um dos melhores da profissão. Tem um sistema de classificação que separa os goleiros em “A” ou “R”. O “A” antecipa a jogada. O “R” reage a ela. Guardiola, Cruyff, Van Gaal, Bielsa, Sampaoli e toda essa turma preferem a primeira categoria, embora a segunda tenha nomes lendários como Oliver Kahn, Zoff e Gordon Banks. Rodríguez desenvolveu Claudio Bravo para ser um goleiro “A” usando o método de Hoek.


Sampaoli (E), Juan Lillo (D)


O goleiro chileno não passaria muito tempo sem ter contato com técnicos que compartilham essa linha de pensamento. Em 2012, Jorge Sampaoli assumiu a seleção chilena e adivinha quem ele trouxe para ser um dos seus assistentes, dois anos depois? Juan Manuel Lillo. Na mesma época, Bravo começou a trabalhar com Luis Enrique, que tem um estilo um pouco diferente, mas foi companheiro de Guardiola nos tempos de jogador e é outro grande barcelonista.

Todas essas influências forjaram o futebol de Claudio Bravo, e o interesse de Guardiola foi apenas natural. O estranho, na verdade, é o chileno trabalhar com o técnico espanhol pela primeira vez aos 33 anos. Porque sempre foi um homem de Guardiola (ou de Cruyff ou de Sampaoli), mesmo se nunca tivesse sequer apertado a mão do catalão.

Fontes: Trivela / Sky Sports

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