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Bravo sempre foi um “goleiro de Guardiola”, mesmo antes de trabalharem juntos

Claudio Bravo trocou o Barcelona pelo Manchester City e defende as metas do time de Guardiola na próxima temporada. O anúncio saiu depois que os catalães fecharam com o seu substituto, o holandês Cillessen. O Ajax, por sua vez, contratou Tim Krul. No fim, todos ficaram felizes. Menos o Newcastle e Joe Hart, que se tornou a terceira opção no Etihad Stadium e pouco depois foi emprestado ao Torino, da Itália.


Quem se saiu melhor, no entanto, foi justamente o clube que deu início à dança das cadeiras. O Manchester City levou Bravo, por € 18 milhões, um goleiro que muitos dizem ser mais seguro e confiável do que Joe Hart. Ambos são capazes de fazer defesas excepcionais, mas o chileno raramente falha e tem uma excelente saída do gol em bolas aéreas – mesmo que tenha falhado justamente neste fundamento em seu primeiro jogo. Sua qualidade muitas vezes é subestimada, talvez porque ele demorou para aparecer nos grandes palcos. Cria do Colo-Colo, passou oito temporadas com a Real Sociedad, três na segunda divisão espanhola. Em uma delas, nem entrou em campo.


O Barcelona contratou o goleiro de 33 anos junto com o promissor Ter Stegen, e a sensação geral era de que Bravo serviria para dar suporte ao alemão. Um reserva de experiência caso o titular passasse por oscilações inerentes aos jovens. Mas ele foi muito além disso. Embora não tenha tido a chance de jogar a Champions League, foi a primeira opção de Luis Enrique nas campanhas de dois títulos nacionais e bateu o recorde de minutos sem sofrer gols na liga espanhola (755, pouco mais de oito jogos). Nesse período, também foi bicampeão da Copa América pelo Chile, com direito a uma defesa crucial na prorrogação contra a Argentina.

Joe Hart também é um ótimo goleiro, titular da seleção inglesa e entre os melhores do mundo segundo o lendário Buffon, mas tem uma propensão maior a erros. O ponto chave para a decisão de Guardiola, no entanto, teve mais a ver com os pés do que com as mãos. Porque Bravo, ao longo da carreira, foi influenciado por vários adeptos da filosofia de futebol que o técnico espanhol segue e encaixa como uma luva nas suas pretensões para o Manchester City.

Um texto da Sky Sports é perfeito para mostrar quantas vezes Bravo cruzou com entusiastas desse estilo que deriva do “futebol total” de Rinus Michels e Johan Cruyff, que prioriza a posse de bola e exige que todos os jogadores, inclusive o goleiro, participem da construção das jogadas ofensivas.

O primeiro treinador de goleiros de Bravo, ainda no Colo-Colo, foi Julio Rodríguez, que aproveitou uma passagem do Ajax pelos Estados Unidos para conhecer Frans Hoek, contratado por Cruyff para trabalhar com os arqueiros do clube holandês, na metade da década de oitenta. Hoek tornou-se um dos melhores da profissão. Tem um sistema de classificação que separa os goleiros em “A” ou “R”. O “A” antecipa a jogada. O “R” reage a ela. Guardiola, Cruyff, Van Gaal, Bielsa, Sampaoli e toda essa turma preferem a primeira categoria, embora a segunda tenha nomes lendários como Oliver Kahn, Zoff e Gordon Banks. Rodríguez desenvolveu Claudio Bravo para ser um goleiro “A” usando o método de Hoek.


Em 2006, Bravo foi contratado pela Real Sociedad, que passava pelo curto período em que teve José Mari Bakero como técnico. Bakero foi integrante do Dream Team barcelonalista ao lado de Guardiola e Cruyff. Resultados ruins no começo da campanha que culminariam com o rebaixamento do time basco custaram-lhe o emprego. Mas, pouco depois, chegou um dos mentores de Guardiola: Juan Manuel Lillo. Foi pela vontade de trabalhar e aprender com Lillo que Guardiola estendeu sua carreira por mais um ano para jogar no Dorados, do México. Lillo ficou uma única temporada na Real Sociedad, na segunda divisão. Não conseguiu o acesso e também foi embora, mas reintegrou Bravo ao time principal dos bascos. O chileno havia virado reserva sob o comando de Chris Coleman, que preferia começar jogando com Asier Riesgo.

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Sampaoli (E), Juan Lillo (D)


O goleiro chileno não passaria muito tempo sem ter contato com técnicos que compartilham essa linha de pensamento. Em 2012, Jorge Sampaoli assumiu a seleção chilena e adivinha quem ele trouxe para ser um dos seus assistentes, dois anos depois? Juan Manuel Lillo. Na mesma época, Bravo começou a trabalhar com Luis Enrique, que tem um estilo um pouco diferente, mas foi companheiro de Guardiola nos tempos de jogador e é outro grande barcelonista.

Todas essas influências forjaram o futebol de Claudio Bravo, e o interesse de Guardiola foi apenas natural. O estranho, na verdade, é o chileno trabalhar com o técnico espanhol pela primeira vez aos 33 anos. Porque sempre foi um homem de Guardiola (ou de Cruyff ou de Sampaoli), mesmo se nunca tivesse sequer apertado a mão do catalão.

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