• Voa Goleiro

O término das Olimpíadas significa o fim da Seleção permanente?

Logo após a derrota da seleção brasileira de Futebol Feminino para o Canadá, na disputa da medalha de bronze das Olimpíadas 2016, começou a circular em alguns sites de notícia a ideia de algum grande nome da CBF em extinguir a seleção permanente. Outro ponto abordado é que a CBF poderia acabar com a seleção permanente adulta e manter uma seleção permanente de base.

Não sei se a seleção permanente é boa para o futebol feminino brasileiro. Talvez seja boa para a seleção na busca por resultados, mas não para a modalidade como um todo, apesar de não ter alcançado a esperada medalha de ouro nas olimpíadas do Brasil.

Ao que consta nas notícias que circularam após a conquista do quarto lugar pela Seleção Feminina, esse grande nome da CBF teria dito que futebol feminino “não pega no Brasil” apesar dos esforços para que isso aconteça. Será? E que esforços são ou foram feitos?

A CBF está equivocada e a história do futebol masculino e do vôlei mostram isso.

FUTEBOL MASCULINO E VÔLEI ERAM SONHOS, HOJE SÃO REALIDADE


Outro exemplo que podemos citar nesta mesma linha de raciocínio é a história do vôlei, que quando começou a ser trabalhado para se tornar a potência que é hoje ouviu muitas vezes que tornar o vôlei um dos principais esportes do país com organização e estrutura era uma UTOPIA! Um sonho de loucos que nunca iria acontecer!

Tanto o futebol masculino quanto o vôlei cresceram e ganharam outro patamar sendo considerados hoje o primeiro e segundo esporte dos brasileiros, respectivamente. Então imagine se não tivesse existido investimento na modalidade, seriam amadoras ou mal estruturadas até hoje, embora, apesar dos anos de prática e gestão, as duas ainda estejam evoluindo e tem muito espaço para crescer.

O FUTEBOL FEMININO PODE SER UMA POTÊNCIA NO BRASIL

Baseado nesta comparação podemos dizer que o que falta ao futebol feminino brasileiro é uma administração realmente disposta a cuidar da modalidade e tornar ela um grande produto, algo que requer investimento, planejamento e tempo, e que também trará retorno desse investimento em médio/longo prazo.

Claro que falta organização, comprometimento e atitudes profissionais por parte de atletas e profissionais. Não podemos negar isso! E apesar destes problemas estarem abaixo da CBF, a entidade pode sim ser a solucionadora, desde que queria assumir esse papel de desenvolvedora do futebol feminino nacional e não apenas o papel de dona da seleção feminina.

Criar resoluções, alterar seu estatuto, realizar cobranças e fiscalizações sobre os clubes e as federações com a intenção de desenvolver a modalidade tornariam obrigatória uma mudança de comportamento das partes envolvidas que estão abaixo da entidade máxima de administração do futebol brasileiro.

Você sabia que a Copa do Brasil de Futebol Feminino começa HOJE? Depois do Campeonato Brasileiro, esse é o campeonato nacional mais importante da modalidade e você certamente não viu NENHUMA ação para promovê-lo.


NÃO FALTAM RESULTADOS, FALTAM AÇÕES DE MARKETING

A CBF pode também desenvolver junto a seus patrocinadores ações de marketing que desenvolvam a imagem do futebol feminino no país e na desconstrução da ideia de que futebol não é coisa de mulher (nunca vi a CBF se pronunciar sobre isso), bem como pode criar novas parcerias focadas exclusivamente no futebol feminino. Eu não falei aqui de ações de desenvolvimento da seleção feminina e sim DO FUTEBOL FEMININO brasileiro. Há muita coisa para ser feita e uma bela bandeira e mercado para levantar sobre a prática de esporte pelas mulheres que pode tornar a entidade referência e marco na luta pela transformação dessa imagem no Brasil em parcerias com outras modalidades e suas respectivas federações.

APRESENTAR PROJETOS E VALORIZAR A EDUCAÇÃO FÍSICA

A CBF poderia também apresentar ao Ministério do Esporte, Educação e ao Conselho Federal de Educação Física projetos relacionados à prática de futebol pelas mulheres na escola com a finalidade de desmistificar as questões de gênero. Isso também valorizaria a educação física escolar e o professor nesse processo.

Isso demonstraria que realmente se quer o desenvolvimento da modalidade e a sustentabilidade para novas gerações. Quem quer fazer mudar precisa, pode e deve atacar o que seria o foco do problema.

CRIAÇÃO DA LIGA NACIONAL DE FUTEBOL FEMININO

No quarto ano da NWSL o futebol é melhor, a liga está mais esperta, o público está maior e a exposição aumentou. Tem atraído brasileiras para jogar lá e os principais nomes da seleção americana jogam a liga.


Outra boa solução, caso o problema da CBF seja a falta de interesse em se ocupar de cuidar do futebol feminino como um todo, seria permitir e reconhecer a criação de uma liga Nacional de Futebol Feminino com um planejamento de longo prazo, com ações conjuntas com ministério do Esporte, Educação e Conselho Federal de Educação Física (coisas que a CBF até então não fez).

Essa liga teria plenos poderes para captar, investir e criar ações e competições a27dultas e de base para o futebol feminino nacional, incluindo capacitação de profissionais do esporte. Assim a CBF se preocuparia apenas com seleção enquanto a modalidade em nível nacional ficaria como responsabilidade da liga.

Porque se o futebol masculino se tornou um grande produto e mina de ouro para empresários, clubes e dirigentes (mesmo ainda sendo muito mal organizado e com muitas desigualdades) e também o vôlei se tornou potência nacional (apesar das limitações), por qual motivo o futebol feminino não poderia se tornar também uma paixão nacional? Para isso é preciso investir!

Claro que esta liga, assim como toda e qualquer coisa relacionada ao futebol feminino nacional ou qualquer esporte que possa ser desenvolvido precisa de TOTAL TRANSPARÊNCIA em relação às suas contas, valores recebidos, valores gastos, dinheiro em caixa e ações, algo que nunca aconteceu no Brasileirão Feminino, por exemplo.

CONCLUSÃO

Para concluir, considero que a seleção permanente, seja de base ou na categoria adulta podem sim trazer resultados, porém à seleção brasileira. Resultados esses que nada adiantam se outras ações não forem realizadas em torno da visibilidade que a modalidade pode ter com uma medalha de ouro ou a conquista de um lugar no pódio, e esse tipo de ação nunca aconteceu nesses pouco mais de 30 anos de futebol feminino.

Ao invés de pensar em ações imediatistas ou de curto prazo pensando apenas em uma medalha para engrandecer ainda mais a imagem da Confederação Brasileira de Futebol, o futebol feminino precisa de ações concretas e contínuas na formação de base, na gestão da modalidade e divulgação da modalidade, de modo a mudar a imagem do esporte e tornar o futebol das mulheres algo atraente, rentável e capaz de caminhar com suas próprias pernas.

Quando isso for feito as medalhas virão naturalmente, assim como o Brasil alcançará o primeiro lugar do ranking FIFA de futebol feminino.

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