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Helmuth Duckadam, o “Herói de Sevilha”.

Defender quatro chutes em uma disputa por pênaltis não é para qualquer um. Fazer as quatro defesas de maneira consecutiva, mais raro ainda. Mas só um goleiro pode se gabar de ter conseguido tudo isso e na maior final de clubes europeia: trata-se do romeno Helmuth Duckadam, o “Herói de Sevilha”, que dois meses depois de fazer o que parecia impossível correu o risco de perder um braço.

Duckadam foi decisivo para o inédito título do Steaua Bucareste em 1986 na Taça dos Clubes Campeões Europeus, nome na época do torneio que é a atual Liga dos Campeões. O time romeno foi a grande surpresa daquela edição e derrubou o Barcelona na final. Depois de 120 minutos sem gols, coube a Duckadam ser o herói da decisão.

Em um estádio lotado de espanhóis (a final aconteceu em Sevilha), o goleiro defendeu os quatro pênaltis batidos pelo Barcelona. Nos três primeiros, pulou para o seu lado direito e fez as três defesas. A segunda foi a mais difícil: ele desviou a bola com a ponta dos dedos. O Steaua também havia perdido duas cobranças e vencia por 2 a 0 quando chegou a hora de o atacante Marcos tentar o primeiro gol do Barcelona. Se ele errasse a quarta tentativa, o jogo acabava.

“Eu me coloquei na pele de Marcos e disse para mim mesmo: ‘Esse goleiro escolheu um lado nesta noite e vai pular no mesmo lado mais uma vez’. Ele [Marcos] pensou a mesma coisa. Então preferi mudar de lado. Saltei no canto esquerdo e peguei o quarto pênalti”, relembrou Duckadam, em entrevista ao site da Uefa.

Surgia ali o apelido de “Herói de Sevilha”, mais do que justo diante do feito do goleiro. Era 7 de maio de 1986. A festa na Romênia foi grande. Pela primeira vez na história um time do leste europeu ganhava o cobiçado título. Dois meses depois, no entanto, a alegria de Duckadam deu lugar a muita preocupação.

Em julho, segundo relatos da época, o goleiro deu entrada no hospital com um grave problema circulatório. Os médicos que o atenderam disseram que ele corria o risco de precisar amputar o braço direito. As versões para a causa são diferentes: uma trombose e a consequência de um aneurisma foram descritos pelos jornais.

Houve até rumores de que Duckadam teria sido vítima de um ataque promovido pelo líder comunista Nicolae Ceausescu, condenado e fuzilado posteriormente por genocídio. Ele negou a versão mais tarde. O fato é que o romeno foi submetido a algumas cirurgias no braço direito, sumiu do futebol e ficou afastado da bola por três anos.

O goleiro ainda retomou a carreira em 1989, defendendo o modesto Vagonul Arad, da segunda divisão romena. Foram dois anos sem destaque e, então, a aposentadoria. Duckadam virou oficial da polícia e abriu uma escola de futebol. Perdeu muito dinheiro e precisou se livrar de várias recordações do histórico título de 1986. Mas seu nome está na história. As incríveis quatro defesas seguidas de pênalti não serão apagadas.

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