• Rogger da Costa

Goleiro ‘meio brasileiro’ sonha com carreira na seleção do Uruguai

Atualizado: Mai 15

A expressão “doble chapa” é um termo utilizado nas fronteiras entre o Brasil e o Uruguai para designar cidadãos com dupla nacionalidade. Pois é assim que se auto define Adriano Freitas, 22, goleiro do Cerro (URU), filho de pai uruguaio e mãe brasileira.

Nos sites que reúnem fichas técnicas de jogadores, o atleta aparece em alguns deles como nascido em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, mas ele nasceu mesmo em Rivera, cidade vizinha do município gaúcho, porém já em terras uruguaias.

Jogador do Peñarol (URU) há sete anos, Adriano se transferiu por empréstimo no início do ano ao modesto Cerro, de Montevidéu. Na nova casa, ele busca as oportunidades que não teve no clube anterior. 

“Foi difícil sair, mas foi um passo que eu quis dar, porque eu sinto que eu estou bem, que preciso de rodagem para aparecer melhor e quem sabe voltar ao Peñarol e desenvolver um bom trabalho”, diz à  Folha o atleta, que tem sotaque gaúcho, mas frequentemente mistura vocábulos em espanhol.

✍️🧤 Adriano Freitas es nuevo jugador albiceleste. ¡Bienvenido a la Villa!#SomosElBarrio #AuténticosDeLaVilla pic.twitter.com/7W7pm0K06Y — Club Atlético Cerro (@CACerro_oficial) January 17, 2020

A porta de entrada de Adriano Freitas para o futebol uruguaio se deu em um famoso campeonato do país que reúne equipes amadoras do interior, o torneio da OFI (Organização de Futebol do Interior).

Atuando por um time da cidade de Rivera, chamou a atenção de um olheiro do Peñarol, que o levou para testes na capital uruguaia. Após uma semana de treinos, na qual ficou hospedado no local de trabalho de uma tia que mora em Montevidéu, recebeu o convite definitivo para assinar com o clube.

Apesar das poucas chances de jogar, ele valoriza a experiência que viveu no Peñarol ao lado de figuras ilustres, como Diego Forlán, Antonio Pacheco e o argentino Maxi Rodríguez. Mas é do ex-lateral-esquerdo Darío Rodríguez, um emblema histórico da instituição e que jogou também pela seleção uruguaia, que guarda uma das maiores lições.

“Você quer deixar algum jogador que é referência bravo é você chegar cansado no vestiário e atirar a camiseta no chão. Eu tirei a camiseta e não joguei, só pus ela no chão. E ele [Darío] me chamou: ‘Adriano, tu fez algo errado. Vai, pensa, porque um acerto ou erro seu vai fazer a gente ganhar ou perder um jogo'”, lembra o goleiro.

“Eu disse que não sabia o que tinha feito de errado. Quando eu abaixei a cabeça, vi a camiseta no chão e puxei ela rápido. Aí ele disse ‘tem que ser rápido assim mesmo, agora vai tomar banho’. O jogador uruguaio tem uma personalidade muito forte”, completa.

Em sua formação como goleiro, ele se inspira em dois grandes nomes do futebol atual, o alemão Ter Stegen (ESP), do Barcelona (ESP), e o esloveno Jan Oblak, do Atlético de Madrid (ESP), além de referências do futebol sul-americano, como o ex-são-paulino Rogério Ceni e o argentino Pato Abbondanzieri.

Torcedor do Internacional por influência da mãe (o pai, apesar de uruguaio, é gremista), ele sonha em um dia jogar no futebol brasileiro, especialmente no clube do coração. “Sou ‘torcedoraço’ do Inter”, diz.

Mas seu maior sonho é defender, no futuro, a seleção uruguaia.

De certa forma, ele já teve o gostinho de jogar pela Celeste. Como reserva, fez parte do time sub-20 do Uruguai que foi campeão do Sul-Americano da categoria em 2017, vencendo o Brasil na fase final, e que foi quarto colocado no Mundial sub-20 do mesmo ano.

Companheiro naquela geração de nomes como Federico Valverde, do Real Madrid (ESP), e Rodrigo Bentancur, da Juventus (ITA), atualmente figuras carimbadas na equipe nacional comandada por Óscar Tabárez, ele espera reencontrar os ex-colegas na seleção principal.

“Hoje por hoje, defender a seleção do Uruguai é o meu objetivo maior. Seria uma das etapas mais altas da minha carreira. Trabalhando vou chegar lá, porque eu sei que fiquei bem conceituado na seleção no processo do Maestro [Tabárez]”, completa Adriano.

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