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Como lidar com a pressão após erros em jogos importantes?

Atualizado: Mai 18

Tim Howard já viveu os altos e baixos da posição de goleiro, mas são os momentos ‘baixos’ que ficam na memória. “Você tem que ir para alguns lugares ‘escuros’ como goleiro”, o ex-atleta da seleção norte-americana e do Manchester United disse à ESPN.

Howard foi elogiado por Barack Obama e se tornou um herói nacional após uma atuação monstruosa na derrota da seleção dos Estados Unidos para a Bélgica, na Copa do Mundo de 2014. Por outro lado, dez anos antes, sua falha na partida de Champions League contra o Porto, aos 45 minutos do segundo tempo, eliminando o Manchester United da competição, fez com que Sir Alex Ferguson o barrasse como goleiro titular da equipe.

“Para ter sucesso na Inglaterra, você tem que ser excelente por 10 anos”, Howard disse. “Eu tive uma temporada muito boa pelo Manchester United, e depois fiquei quase dois anos sem jogar, então não adianta ter um ou dois bons jogos.”

Ser goleiro é uma profissão muito ingrata, não é qualquer um que consegue vestir a camisa 1 e vestir as luvas. Você pode fazer 10 lindas defesas, mas se deixar uma bola entrar no fim da partida, adivinhe qual será lembrada?

“Na minha experiência com futebol, goleiros têm mais trabalho psicológico do que jogadores de linha. E isso é necessário”, diz Dan Abrahams, psicólogo esportivo que trabalhou com jogadores e clubes da Premier League. “Eles são jogadores operando em um sistema e, às vezes, o mundo pode cair na sua cabeça se houver um erro na partida.”

David James cometeu erros crassos durante seus primeiros dias no Liverpool, e uma vez que ele foi apelidado de “Calamity James”, isso ficou com ele até o fim da carreira. Você só pode imaginar como o ex-número 1 da França, Dominique Dropsy – sim, esse é seu nome verdadeiro – teria sido tratado no mundo feroz e implacável das mídias sociais de hoje, se ele acidentalmente tocasse a bola para um atacante do time adversário.

David De Gea, o goleiro do Manchester United, sabe tudo sobre os altos e baixos da posição. Avaliado por muitos como o melhor do mundo, ele teve um pesadelo com erros entre as traves, e eles variaram da Premier League até a Copa do Mundo, pela seleção da Espanha. Seu erro contra o Chelsea em 28 de abril acabou sendo crucial para o fracasso que foi o fim da temporada no United.

Loris Karius sofreu ainda mais que De Gea. O goleiro alemão cometeu dois grandes erros na final da Uefa Champions League do ano passado, contra o Real Madrid. Karius teve participação direta em dois dos três gols do time espanhol. Jurgen Klopp e o Liverpool defenderam Karius em público na época, mas ele não ficou em Anfield: Karius foi emprestado ao Besiktas, na Turquia, onde sua batalha para reconstruir sua confiança foi prejudicada por novos erros. Um erro em sua estreia contra o Bursaspor em setembro resultou em um empate em 1 a 1.

Mas a campanha de Karius na Turquia teve seu pior momento quando, depois de ser ridicularizado por torcedores após um gol sofrido contra o Konyaspor, o técnico do Besiktas, Senol Gunes, afirmou publicamente que existia “algo errado” com o alemão.

Karius e De Gea já estiveram no olho da tempestade, mas quando você está na última linha da defesa, você precisa ser capaz de lidar com isso, certo?

“Eu sempre quis ser goleiro, desde criança, mas também sabia que teria de lidar com muitas coisas duras,” disse Mark Bosnich, ex-goleiro do Manchester United, do Aston Villa e da seleção da Austrália. “Como goleiro, você tem que ter uma cabeça boa. Quando eu cometia um erro, eu só me desculpava com os meus companheiros no vestiário e bola para frente.”

“Meu melhor jogo pelo United foi contra o Palmeiras, em 1999, pelo Mundial Interclubes. Nós conquistamos o título, mas eu era o mesmo cara depois disso.”

No entanto, nem todos os goleiros têm uma mentalidade tão boa como Bosnich. O jogador australiano era extrovertido, criticado por ser confiante demais, enquanto outros se afundavam depois de erros de em grandes partidas.

As carreiras na seleção de jogadores como Rob Green e Scott Carson terminaram antes que começassem corretamente devido aos erros em grandes jogos para o seu país. As críticas podem ser intensas, especialmente em uma era de replays de todos os ângulos, VAR e a super câmera lenta, mas Howard disse que permanecer forte é crucial para todos os goleiros. “Você tem que se preparar para alguns dias sombrios”, disse ele. “Você tem que ser forte, bloquear a mídia, os torcedores e até mesmo alguns de seus próprios companheiros de equipe.”

“Nunca termina. Sua autoconfiança nunca pode vacilar. A confiança [dos outros] vai e vem, mas a autoconfiança não é algo que deve variar de acordo com as atuações. Você precisa sempre acreditar em si mesmo.”

“É aí que acho que muitos goleiros erram. Eu não era estúpido, eu podia olhar no espelho e dizer: ‘Como você jogou mal’, mas eu nunca desconsiderei o fato de que eu tinha condições de jogar.”

Ben Foster também passou pelo o implacável holofote que acompanha quem estiver jogando no gol do Manchester United. Ele também caiu em desgraça com Ferguson depois de um erro. Massimo Taibi e Fabien Barthez, campeão da Copa do Mundo em 1998, tiveram o mesmo destino de Leighton, Bosnich, Howard e Foster no Man United. Hoje no Watford, Foster disse que só aprendeu a lidar com as mazelas da profissão aos 30 anos de idade.

“O United foi, realmente, o lugar errado no tempo errado para mim,” Foster disse, lembrando de quando era um jovem goleiro rumo ao maior clube da Inglaterra. “Eu não estava mentalmente equipado para lidar mentalmente com a pressão de jogar no United.”

A partir disso, vem a seguinte pergunta: como recuperar a confiança de um goleiro que falhou no domingo a tempo da próxima partida?

“Alguns vão querer se concentrar no erro e trabalhar em cima disso, outros apenas querem a normalidade e a repetição do que sempre fazem”, disse Ant White, membro da equipe técnica de goleiros de Bournemouth. “Mas eles precisam conhecer sua identidade, aquilo que os torna grandes goleiros.”

“Um erro pode ser um negócio de 1 em 5.000, mas você tem que garantir que não vão esquecer os outros 4.999 momentos.”

Só De Gea realmente sabe se sua energia e foco estão sendo drenados por sua série de erros. O mesmo se aplica a Karius: ele tem pesadelos sobre os dois erros que cometeu em Kiev, contra o Real Madrid? Em última análise, todos os jogadores enfrentam erros, mas é diferente para um goleiro. Eles estão expostos, em todos os sentidos.

“Eu não me sinto um jogador de futebol às vezes,” Foster disse. “Eu só tento impedir que a bola ultrapasse a linha. No fim do dia, é isso que fazemos. E estamos sozinhos.”

“Como goleiro, você está sozinho, então tem que lidar com isso sozinho também.”

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