• Voa Goleiro

A violência contra a mulher dentro do Futebol Feminino

Nos últimos dias o Brasil se mobilizou por conta de questões de abuso contra a mulher, um deles envolvendo o ator Mayer e outro por conta de Marcos, ex participante do BBB 17.

Vi muitas postagens nas redes sociais onde diversas pessoas do meio do futebol feminino, também se manifestaram contra os ocorridos. Mas então me perguntei: Mas o quanto de violência contra as mulheres acontecem dentro do Futebol Feminino? Será que as pessoas não enxergam?

A violência contra a mulher não é apenas a violência sexual. Existem diversos tipos de violência que acontecem diariamente fora e dentro do esporte feminino de modo geral, seja ela uma violência cometida por um homem ou por uma mulher. Essas violências, INFELIZMENTE, nem sempre são trazidas à tona pelas pessoas que as sofrem. Em muitas das vezes as mulheres não sabem como reagir ou tem medo de que algo aconteça caso tornem público algum fato ocorrido, ou ainda, nos casos mais graves onde ocorre assédio, além do medo de retaliações como ficar sem clube (que para quem vive fora do universo esportivo parece algo simples e “bobo”, mas não é),  também existe a vergonha que muitas vezes faz a mulher desistir da denuncia.


Violência é a utilização intencional de força física ou o poder/posição para ameaçar, diminuir e submeter outras pessoas, as privando de liberdade, causando dano psicológico, emocional, deficiência de desenvolvimento, lesão física ou até a morte.

Segundo o dicionário: ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento.

Quais são os tipos de VIOLÊNCIA?

São vários os tipos de violência: física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e econômica.

No futebol feminino alguns tipos de violência são os mais comuns como:

Violência Psicológica – É a violência de forma mais subjetiva e que pode ser difícil de identificar. Ela causa danos à saúde mental e danifica a autoestima da vítima. Também chamada de bullying, a violência psicológica é toda conduta que cause danos psicológicos, seja a humilhação, constrangimento, ofensas, perseguição, chantagem, exploração, manipulação, vigilância constante, limite de ir e vir, etc.

Esse tipo de violência é cometida por dirigentes, treinadores e agenciadores de atletas que ofendem, humilham, chantageiam, perseguem e manipulam as jogadoras as vezes simplesmente para que ela aceite alguma situação ou feche ou não algum contrato.  Os xingamentos, desvalorização moral e deboche público sobre a atleta também é comum e também é uma violência psicológica.

Violência Sexual – este tipo de violência não se dá apenas pelo estupro. É considerado violência sexual qualquer comentário sexual indesejado, contatos (encochadas) e passadas de mãos pelo corpo (pernas, bunda, seios, regiões íntimas) da vítima.

Infelizmente no meio esportivo ainda existem “pseudo profissionais” com pensamentos machistas que acreditam que podem fala “gracinhas” e ter contatos com suas atletas, muitas vezes utilizando de violência psicológica para tal.

Violência Simbólica – é a violência que reforça uma imagem preconcebida da figura da mulher e reforça os papéis machistas que há muitos anos vem sendo impostos a elas pela sociedade.Objetificar a mulher como objeto sexual, imagem negativa através de piadas como “loira burra” ou de que “toda mulher dirige mal”. É uma violência sem coação física, mas que causa danos morais e psicológicos.

Infelizmente muita dessas questões estão ligadas à bagagem cultural dos indivíduos que socialmente já carregam o machismo em seu dia a dia considerando normal tais atitudes.

Treinadores(as) e dirigentes: Estejam atentos à forma como se dirigem e tratam suas atletas e as mulheres que vivem ao seu redor. Não é possível admitir tais comportamentos violentos e muito menos que pessoas se valham de suas posições para coagir, influenciar ou diminuir as mulheres que comandam.

Atletas: Não permitam que ninguém cometa qualquer ato de violência contra vocês, seja homem, seja mulher, seja presidente de clube ou agente/agência de futebol.

COMO DENUNCIAR?

Vocês podem registrar a sua denúncia através do número 180, número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A ligação é gratuita e através deste número vocês podem não somente registrar denúncias, como também buscar informações de como proceder nos casos.

A central do 180 funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana para atender a mulheres que sofrem violência, seja ela praticada por homens, mulheres, familiares, etc.

Aos que vivem e acompanham o futebol feminino, entendam que Assedio sexual é crime! Assédio moral é crime! Coação é crime! Violência é crime!

Esses crimes só irão começar a ter uma redução quando vocês atletas começarem a buscar seus direitos! Quem comete crime deve pagar por todos os seus atos.

Algumas pessoas com histórico de violência contra a mulher atuam dentro do futebol feminino, seja como treinadores(as), seja como agente/agência de atletas, preparadores de goleiras e outros, e continuarão agindo com a certeza da impunidade até que vocês, que são as maiores interessadas, tomem a atitude.

Tomar atitude contra o agressor não é fácil, mas é o melhor a ser feito por quem sofre a agressão. Peça apoio das colegas de clube, de familiares e pessoas próximas em quem vocês podem confiar e que lhes darão apoio nessa situação!

Chega de violência contra a mulher no futebol feminino! Chega de violência contra a mulher no esporte!

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