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A escola alemã de grandes goleiros

Atualizado: Mai 18

Um ótimo texto Gerd Wenzel, do UOL

Na Alemanha, uma geração de ouro segue outra debaixo das traves, praticamente sem interrupção. Como se explica isso? Clubes e federação não medem esforços para investir desde cedo em jovens talentos,Ao contrário do que muitas vezes acontece em outros países considerados potências do futebol mundial, na Alemanha o técnico da seleção, ao convocar o seu elenco, não se vê confrontado com o problema da falta de um excelente goleiro. O último homem da Mannschaft tem sido um mestre no seu ofício – uma maestria que em alguns casos beira à genialidade, diga-se de passagem. Uma geração de ouro segue outra, praticamente sem interrupção. Como se explica isso?

Para começar, é importante ressaltar que a garotada tem exemplos heroicos nos quais pode se espelhar. São goleiros que, no decorrer da história do futebol alemão, se transformaram em ícones a serem imitados e seguidos.

Talvez não seja exagero dizer que tudo começou com Toni Turek, um dos heróis do “Milagre de Berna”, aquela partida épica que, para surpresa do mundo esportivo, deu o primeiro título de campeão mundial à Alemanha. Turek, por sua atuação contra a Hungria, acabou sendo exaltado pelo lendário locutor Herbert Zimmermann ainda durante o jogo: “Toni, você é o Deus do Futebol”!

E o que falar de Bert Trautmann? Foi prisioneiro de guerra no Reino Unido e se tornou ídolo na terra da rainha. Jogou 15 anos pelo Manchester City (1949 a 1964) e era considerado um dos melhores goleiros do mundo. Entrou definitivamente para a história quando, mesmo com a coluna cervical fraturada, continuou em campo na final do FA Cup de 1956 e garantiu a vitória e o título por 3 a 1 diante do Birmingham City.

Logo após a Copa do Mundo de 1966, começava a era Sepp Maier que, na final contra a Holanda em 1974, se transformou numa muralha intransponível para os jogadores holandeses integrantes da Laranja Mecânica. Sua atuação contra a Holanda de Cruyff naquela final entrou definitivamente para a história do futebol. No seu clube, Bayern Munique, acumulou oito títulos nacionais e cinco internacionais. Impressionante!

A lista é longa e pode facilmente ser complementada com Bodo Illgner (campeão mundial em 1990) e seu sucessor Andreas Köpke (campeão europeu em 1996 e atual treinador de goleiros da seleção).

Logo surgiria um legítimo herdeiro da escola bávara de grandes goleiros: Oliver Kahn seguia as pegadas de Sepp Maier sendo eleito o melhor goleiro do mundo em três oportunidades. Era um titã que defendia com unhas e dentes (algumas vezes literalmente) o seu território à frente do gol.

Quanto à atual geração de goleiros alemães, pode-se dizer tranquilamente que o técnico Joachim Löw tem um problema de luxo. Em fins de março começa a fase eliminatória da Eurocopa 2020, e logo de cara a Alemanha terá um compromisso difícil fora de casa contra a Holanda.

Para Löw, se existe uma posição no time titular com a qual ele não precisa se preocupar é a posição de goleiro. Tem, no mínimo, dois craques à disposição: Manuel Neuer e Ter Stegen.

Fato é que, na Alemanha, de forma geral, um goleiro goza de maior prestígio esportivo e social do que em muitos outros países. Desde cedo, nos times de base, quem vai para o gol não é apenas aquele que não serve para outra posição. A expressão ainda comum no Brasil “Desgraçado é o goleiro, até onde ele pisa não nasce a grama” não tem equivalente no futebol alemão. Pelo contrário. Tem garotos que desde pequenos já anunciam aos quatro ventos com muito orgulho: “Quando eu crescer, quero ser goleiro”.

Consequentemente, a maioria dos clubes profissionais capricha na formação dos seus goleiros desde os times infantis. O capricho é tanto que hoje se fala abertamente numa “escola alemã de goleiros”. São organizados congressos e simpósios direcionados especificamente para goleiros e seus técnicos.

Os clubes realizam acampamentos de férias para crianças que sonham em seguir as pegadas dos grandes goleiros do futebol mundial e lá aprendem as primeiras lições do seu futuro ofício com ex-goleiros, seja da Nationalmannschaft ou, ao menos, em clubes da Bundesliga.

Os resultados destes esforços estão à vista de todos. Há décadas, a Alemanha é um celeiro de goleiros da mais alta qualidade. No país, a máxima de que bons ataques ganham jogos e boas defesas ganham campeonatos é levada a sério. Levam tão a sério que investem na formação dos seus jovens goleiros.

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